sábado, 16 de maio de 2020

A POESIA SE DESCOBRE 
NA GEOGRAFIA
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Uma cidade antiga
totalmente construída com a argila de um rio;
eu caminho sobre ela, ela caminha sobre mim;
essa cidade não é perto nem distante,
fica num dos pontos do mapa,
numa das taças de minha cabeça
Existe um templo na cidade
há centenas de anos,
o coração sagrado da cidade é protegido
pela a argila do rio,
pelas mãos lavradas das mulheres,
das crianças e dos homens
Os rios do Terra ora se ocultam no solo,
ora são cristalizados pelo frio,
ora escorrem em muitas quedas
pela minha cama que também é tua
E as pontes vivas construídas com raízes
por muitas e muitas gerações,
servem para que se atrevesse
as violentas águas em segurança,
é o exemplo de comunhão perfeita
que uma certa civilização desenvolveu
A poesia entra nas fendas das pedras,
nas fendas do tempo que está além
do tempo que não pode ser chamado de tempo
A poesia se descobre na geografia
que se espalha de um polo ao outro,
arranca dos céus as estrelas,
as coloca na boca que beija

( edu planchêz )

A imagem pode conter: nuvem, céu e atividades ao ar livre

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